Ano passado eu perdi a minha mãe.
A depressão levou a minha mãe. Do dia pra noite, sobrou só eu e a minha avó.
Ela promete que vai dar tudo certo. Mas eu escuto ela chorando escondida no banheiro quase toda noite.
A gente virou uma dupla: uma segura a mão da outra como dá.
Tem uma coisa crescendo dentro da minha cabeça.
Os médicos deram um nome: tumor no cérebro. Pra mim, é uma coisa que aperta tudo por dentro.
A dor chega tão forte que parece que a minha cabeça vai explodir.
Minha vida virou hospital, remédio e medo. Eu não brinco e não vou pra escola.
O tumor não espera a fila do SUS.
A fila da minha cirurgia é de 5 meses. Os médicos falam em 60 dias, no máximo.
Toda noite eu conto os dias e peço pra dar tempo.
Minhas amigas estão aprendendo divisão. Eu aprendi a contar prazo.
Minha avó vende doce mesmo na cadeira de rodas.
Ela já vendeu quase tudo o que a gente tinha. Agora faz doce pra vender na rua.
Mesmo na cadeira de rodas, ela não desistiu de mim um só dia.
A minha cirurgia custa 75 mil reais. Sozinhas, a gente não chega nesse valor.
Gravei esse vídeo porque entendi isso ouvindo ela chorar. Cada 20 ou 30 reais me dá mais um dia de luta.